Nem sempre caminhei conscientemente pelo caminho que hoje reconheço como meu. Houve desvios, pausas e silêncios. Houve tentativas de permanecer em lugares seguros, estruturados, socialmente aceitos. Ainda assim, desde o primeiro sopro de vida, algo em mim sempre soube: a espiritualidade não era uma escolha, era um chamado.
Minha trajetória passou por formações acadêmicas sólidas. Tenho formação em Direito e em Psicanálise, campos que me ensinaram sobre a mente humana, os conflitos, as estruturas, as leis visíveis e invisíveis que regem a vida em sociedade e o comportamento do ser. Durante muito tempo, esses caminhos me ofereceram estabilidade, reconhecimento e lógica. E, por isso mesmo, não foi simples deixá-los apenas como base e não como destino.
A espiritualidade, porém, sempre falou mais alto. Mesmo quando tentei ignorá-la. Mesmo quando pensei duas vezes. Mesmo quando sair do lugar conhecido parecia desconfortável demais. O chamado persistiu. Insistente. Profundo. Ancestral. Como se algo maior me conduzisse de volta ao que sempre fui, ainda que eu resistisse.
Minha jornada espiritual não nasce de fantasia, mas de vivência. De experiências que atravessam o tempo, o corpo e a alma. De uma escuta sensível do invisível, aliada à responsabilidade, à ética e à consciência. Caminho entre mundos: com os pés firmes na realidade e o espírito atento aos mistérios que não se explicam apenas pela razão.
Hoje, honro todas as versões que fui. Cada desvio, cada escolha, cada retorno. Compreendo que nada foi em vão. O Direito e a Psicanálise me estruturaram; a espiritualidade me revelou. E é a partir dessa integração entre conhecimento, sensibilidade e propósito que sigo oferecendo meu trabalho.
Não estou aqui por acaso. Estou aqui porque, apesar de tudo, sempre soube que este era o meu lugar.